terça-feira, 29 de maio de 2012

“Ser diferente é normal”

Não seria uma tarefa difícil se em nosso município existisse uma comunicação entre as redes. Notamos uma grande dificuldade em conseguirmos dados na delegacia da mulher e as pessoas ainda não denunciam crimes de racismo, por tanto não temos dados estatísticos, porém a partir de nossa atuação em uma comunidade que apresenta todas as demandas apresentadas no decorrer não só do módulo, mas também de todo o curso, podemos socializar nossa visão sobre como isso é tratado na comunidade.



A experiência de gestão tem sido aos poucos também adquirida por alguns colegas do grupo através de um curso de “Capacitação de Lideranças e Organizações Sociais” promovido pelo Instituto Votorantim, Fibria e ACES.


                         wikipedia.org
Neste curso, ministrado pelo professor Luciano Macal, que tem como objetivo melhorar a prática profissional de gestão na Barra do Riacho e qualificar as entidades locais.  Temos uma grande troca de experiências de todas as entidades participantes, como o CRAS, Projeto Resgate, Associação de Moradores e outros. No entanto vemos como a questão de gênero e raça nunca é lembrada na sociedade, nem mesmo como pano de fundo das discussões.



Sabemos como a Barra do Riacho sempre foi sinônimo de prostituição, devido à zona portuária localizada no distrito, porém constatamos que hoje não existe nenhum projeto ou instituição que trabalhe as questões de gênero e raça. À mulher está sempre delegado o papel de múltiplas funções, no entanto não existe um grupo que as apóie nessa situação de descriminação que a anos elas enfrentam.



Essas iniciativas de trazer para a própria comunidade a construção de propostas a serem trabalhadas a partir das demandas sociais apresentadas pela própria comunidade são muito válidas, pois sabemos que o planejamento e todos os itens relevantes serão desenvolvidos pelo próprio público-alvo.



Trabalhamos em uma comunidade marcada por um histórico de mulheres em sua maioria negras, que são vítimas de suas próprias histórias, estas marcadas por violência em todas suas esferas.



Atuamos como Assistentes Sociais em um CRAS, e neste o papel é ser a “porta de entrada” para todas as demandas sociais daquela comunidade. Em Vila e em Barra do Riacho, somos referencia e ponte para que os cidadãos dali tenham acesso a benefícios de direito.



Por estarmos atuando diretamente com as pessoas que residem na comunidade conseguimos identificar vários problemas ligados as questões de gênero e também por questões de cor. Já mencionamos anteriormente em outros textos que um dos problemas está ligado diretamente aos indivíduos, atendemos pessoas negras que quando pedimos que indique a cor que possuem apresentam dificuldades em dizer “preto (a)”. Ou seja, na própria comunidade e entre eles próprios deve-se haver algo relacionado a questões culturais, para que haja uma reeducação para aceitação, há a necessidade de se trabalhar o preconceito em todas as suas esferas, tanto com o outro quanto com o indivíduo em si.



A visão das pessoas em relação ao papel da mulher na sociedade, o preconceito sobre o que é negro, todas as construções sociais que tornaram nossa sociedade machista e preconceituosa, é necessário criar mecanismos para que os direitos das pessoas não sejam violados todos os dias, custaria muito menos ao “Estado”, educar, e não falo da educação que acontece somente dentro de quatro paredes em uma instituição chamada escola, falo em capacitação dos profissionais que atuam com pessoas, pois infelizmente muitas vezes levamos para nossos trabalhos aquilo que acreditamos e aprendemos no decorrer de nossa vida e esquecemos que cada ser, cada pessoa, cada individuo é e deve ser protagonista de sua própria história, assim a educação a que me refiro realmente existiria, pois esta seria baseada no respeito, respeito ao que o outro é, independente da pigmentação da pele, religião, gênero, orientação sexual ou qualquer coisa que biologicamente não o torna igual aos demais.


Fonte: Texto produzido pelas alunas GPP-GeR/UFES – Jaiane Loureiro e Walesca Fisch – Polo Aracruz – ES.

Levantamento Bibliográfico - Módulo V – GPP-GeR/UFES


O módulo V apresentou em seu conteúdo “A transversalidade de gênero e raça na gestão pública”, tratando do processo de transformação das políticas públicas no Estado brasileiro a partir da perspectiva da transversalidade, da intersetorialidade e da interseccionalidade, sob a ótica da influência dos movimentos


Este módulo buscou explicitar os desafios que cercam a elaboração de políticas públicas com recorte de gênero e raça, uma vez que esta perspectiva acarreta, necessariamente, a promoção social da igualdade e o combate às estruturas que reproduzem as relações de poder entre homens e mulheres e a discriminação etnico-racial.

Por meio de uma série de textos que compuseram quatro unidades de estudo sobre o referido tema os alunos e alunas do curso de Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça puderam refletir sobre a promoção da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres nas diversas áreas de atuação profissional, bem como no que tange ao desenvolvimento de políticas públicas através de gestores que lidem direta ou indireta com a população.

As quatro unidades se dispuseram de forma a destacar os marcos históricos, conceituais e institucionais de políticas públicas, evidenciando a necessidade de planejamentos e contínuas avaliações dos programas, projetos práticas de determinada política a ser desenvolvida. São elas:

cachoeiro.es.gov.br/polouab
  1     - Marcos Históricos, Conceituais e Institucionais das Políticas Públicas de Gênero e Raça.

Aqui o objetivo foi o de demonstrar como ocorreu, na contemporaneidade, a formulação e o desenvolvimento da noção e das práticas em torno da cidadania e, em especial, indicar a atuação dos movimentos sociais nesse âmbito, tendo por base o estudo de textos que discorreram sobre uma variedade de conceitos tais como Globalização e movimentos sociais; Comitê para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW); IV Conferência Mundial sobre a Mulher; Plataforma de Ação de Durban; Transversalidade de gênero e raça; Redemocratização e reforma do estado no Brasil; Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP); Organização Não-Governamental (ONG); Participação e controle social; Reforma do Estado; Democracia Participativa; A efetivação de Políticas Públicas de Gênero e Raça; Intersetorialidade; Interseccionalidade; Transversalidade; Secretaria de Políticas para as Mulheres; I Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (I PNPM); II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres; Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR); Fundação Cultural Palmares (FCP) e Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Planapir), analisando os fundamentos, as possibilidades e os desafios na elaboração de políticas públicas com recorte de gênero e raça.

2     - Planejamento Governamental e Orçamento Público com recorte de Gênero e Raça.

Nesta unidade encontramos subsídios para compreensão do processo de planejamento governamental e de previsão de orçamento público para a implementação de políticas que envolvem as temáticas de gênero e raça. Teve como base o estudo de conceitos dentre os quais se destacam o Ciclo de Políticas Públicas; Projeto; Programa; Orçamento Público; Orçamento-programa; Instrumentos de Planejamento e Orçamento; Plano Plurianual (PPA); Lei de Diretrizes Orçamentárias; Lei Orçamentária Anual; Categorias de Programação Orçamentária; Políticas Públicas de Gênero e Raça; Orçamento Sensível a Gênero; Diagnóstico das desigualdades de gênero e raça; Indicadores de Diagnóstico; Indicadores de Gênero e Raça; O Desafio da Gestão de Gênero e Raça; Sistemas de Informações; A Gestão do II PNPM e A Gestão do PLANAPIR.

3     - Monitoramento e Avaliação de Programas e Projetos.

Tratou do estudo do ciclo das políticas públicas, demonstrando a importância dos indicadores sociais na formulação de políticas, programas e projetos, discorrendo sobre uma variedade de conceitos tais como Monitorar e Avaliar; Monitoramento; Indicadores de processo; Frequência do acompanhamento; Criação de sistemas informatizados; Relatórios diversos e complementares; Mecanismos; Avaliação; Tipos de Avaliação; Avaliação Final; Sistemas de Informação e Avaliação e Monitoramento do Plano Plurianual, objetivando delinear conceitos e ferramentas úteis para acompanhar a implementação de programas e projetos em políticas públicas de ações governamentais.

4     - Elaboração de Projetos e Legislação.

Seguindo a linha das unidades anteriores pretendeu ser um instrumento orientador sobre a técnica de elaboração de projetos vinculados à promoção da igualdade de gênero e raça, apresentado uma análise dos documentos relativos aos direitos de mulheres e a negros/as, bem como um roteiro para elaboração de projetos com recursos governamentais, além do Modelo de Plano de Ação do II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. Produziu o estudo de textos que enumeraram uma variedade de conceitos tais como o Planejamento como alicerce e instrumento da gestão; Planejamento como instrumento de elaboração da ação; A importância de investigar, identificar e compreender as demandas sociais; A relevância da disponibilidade dos recursos; Princípios e Métodos na elaboração de projetos; Roteiro para elaboração de Projetos; Projeto Básico; Plano de Trabalho; Formalização de Convênios e da Prestação de Contas, Termo de Cooperação e Termos de Parcerias.

BIBLIOGRAFIA:

HEILBORN, Maria Luiza; ARAÚJO, Leila; BARRETO, Andréia, Orgs. Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça, GPP- GeR: Módulo V – Rio de Janeiro: CEPESC; Brasilia: Secretaria de Políticas para as Mulheres, 2011.

Fonte: Texto produzido pela aluna GPP-GeR/UFES – Josimara dos Santos – Polo Aracruz – ES.

Levantamento de casos de discriminação étnico/ racial - Aracruz - ES


Trabalhador denuncia Aracruz Celulose por discriminação racial


A Aracruz Celulose foi denunciada na Justiça do Trabalho pelo crime de discriminação racial, entre outros. A denúncia é do funcionário Clausner Silva dos Santos, dirigente sindical, negro, que trabalha na empresa desde 1996. Nesta quarta-feira (20) houve audiência de instrução do processo, em Aracruz, norte do Estado. O movimento negro não pôde acompanhar a audiência.


Os representantes de diversas entidades negras ficaram revoltados em não poder acompanhar a audiência. Segundo Isaías Santana da Rocha, presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos (CEDH) e coordenador do Fórum Estadual de Entidades Negras, processos sobre discriminação racial são, em princípio, públicos.


Destacou que discorda da decisão do juiz em decretar segredo de Justiça no processo, a pedido da Aracruz Celulose. E informou que os movimentos negros se mobilizarão para participar da audiência de julgamento, marcada para o dia 2 de abril próximo, às 10h.

Segundo Clausner Silva dos Santos, desde que entrou nos quadros funcionais da Aracruz Celulose, em 1996, ele só não foi vítima de discriminação quando trabalhou em São Mateus e na Bahia, por cerca de sete meses. Sua função é de controlador de transporte.

caffezaletal.blogspot.com.br

No processo, o trabalhador da Aracruz Celulose afirma que foi vítima de perseguição, assédio moral, discriminação e racismo. Informa que recebia tratamento diferenciado em relação a seus colegas da mesma função. Se saia até o pátio, era observado. Diz que tinha de relatar o que ia fazer, por onde havia andado. É que, como dirigente sindical, observava as condições de segurança do pátio, entre outras coisas, e cobrava providências.


Em relação ao assédio moral, Clausner Silva dos Santos relata que ocorreu, por exemplo, quando o gerente da área impediu seu acesso às informações da empresa, medida tomada durante suas férias. Quando voltou ao trabalho, não tinha como exercer corretamente suas atividades por falta de acesso a estas informações, essenciais ao trabalho.



A discriminação racial era praticada com a conivência da empresa. Relata o funcionário que um colega se referia a ele como “negro sujo” ao falar dele e do seu trabalho.



Quando teve de se afastar, para fazer quatro cirurgias no joelho, o colega o substituía e se queixava desta substituição a seus superiores, na presença de outros funcionários, e dizia que o afastamento do trabalho “era coisa de negro sujo”.



As agressões, diz Clausner Silva dos Santos, foram relatadas oralmente à empresa, em 2003. No ano seguinte, por escrito e com testemunhas, à Aracruz Celulose o funcionário relatou a discriminação racial. A Aracruz Celulose se calou.



Agora responde ao processo na Justiça do Trabalho. Clausner Silva dos Santos diz que só continua funcionário da Aracruz Celulose por ter estabilidade no trabalho, pois atuou como cipeiro e agora é diretor suplente do Sindicato dos Empregados na Indústria de Celulose, o Sinticel.


Clausner Silva dos Santos requereu à Justiça do Trabalho que a Aracruz Celulose lhe pague indenização pelas agressões que sofreu. A indenização deve ser de aproximadamente R$ 300 mil.

Como percebido no texto, apesar de ser do no de 2008, a questão da discriminação persiste nos dias de hoje, está presente no nosso cotidiano, em todos os espaços, instituições; com homens e mulheres de várias idades. Por experiência própria presencio constantemente situações de preconceito contra o sujeito negro praticado por familiares, no local de trabalho, no comércio. Ocorre de forma velada e sutil, conforme textos já estudados em módulos anteriores. Questionados sempre tentam justificar suas condutas não racistas e preconceituosas e se sentem ofendidas quando são levadas a refletirem o comportamento tão arcaico, sujo, pobre e ignorante.



Coleciono várias situações de preconceito, tais como:



A mãe negra diz em meu local de trabalho “ele vai ficar preto igual a mim (o pai é branco)!” e alguém responde: “Tadinho!”- me indignei verbalmente na mesma hora e a pessoa sem graça tentou justificar-se.



Todos assistindo um determinado programa de televisão cujo tema do dia era os diversos penteados para pessoas com cabelos crespos. Fui chamada para ver um determinado penteado e ouvir o desabafo de uma colega que tenta me convencer que alguns penteados são feios ou exagerados. Diante discussão apareceram pelo menos mais umas 3 colegas (todas brancas). Ao final foi unânime: nenhuma delas admitiu respeito às diferenças, diversidade cultural, de que cada um tem o direito de ser e estar na sociedade conforme suas origens e vontades. 



Em meu chá de bebê muitos ficaram abismados, senão chocados, com a figura de uma bebê negra no convite e em toda a decoração, pelo simples fato de meu marido ter a pele clara e a minha negra. Ouvi muitas frases do tipo “sua filha não vai ser “morena” ela vai ser clarinha ou “morena clara”. Ela pode nascer com os olhos verdes, azuis por causa da avó!”. Até minha mãe foi alvo de espanto “Nossa Jussara fez o desenho de uma neném escura!!!”, vindo minha mãe a sentir-se ofendida e muito chateada respondeu “ Jussara valoriza a raça dela e sabe do que está fazendo!”



Mas a pior situação foi a de ouvir várias insinuações de um parente e perceber em sua face a preocupação durante os 9 meses de que a minha filha nascesse não apenas negra, mas com o cabelo crespo “destoando” da sua origem que é “europeia”. Ouvi-la criticar a aparência da pessoa negra e saber que minha filha teria inúmeras possibilidades referente à condição física sempre me deixou chateada, frustrada, com raiva, chocada – com todos aqueles que em pleno século XXI ainda tem suas mentes enraizadas num passado escravista, colonial, atrasado e é lamentável ainda assim ter que conviver com essas pessoas que ainda assim gosto e que são meus colegas/amigos/familiares.



Por fim voltando ao texto de Ubervalter Coimbra o negro continua enfrentado o grande abismo da desigualdade, mesmo tendo conquistado muitos direitos, tendo um nível maior de escolaridade, alcançado oportunidades melhores de emprego etc.



Mas como o ditado: “sou brasileira e não desisto nunca” – de acreditar que o mundo será mais igual para todos e todos serão mais iguais.


Fonte: Texto produzido pela aluna GPP-GeR/UFES – Jussara Passos – Polo Aracruz – ES, com base em experiências pessoais e reportagem retirada do seculodiario.com.br em 28 de maio de 2012 às 12h20min. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

CEERT lança cartilha sobre o Estatuto da Igualdade Racial – Uma nova Estatura para o Brasil


A publicação foi lançada duas vezes, no início de maio: O primeiro lançamento ocorreu na festa da CUT, em São Paulo, no dia 1º de maio. No dia 6 de maio, uma Roda de Conversa com jovens lideranças do Movimento Negro marcou o relançamento durante a Pílula de Cultura.

O conteúdo do Estatuto da Igualdade Racial é apresentado de maneira didática e simples na cartilha “Estatuto da Igualdade Racial: nova estatura para o Brasil”. Com ela, o CEERT espera tornar a lei compreensível a todos ao passo que afasta a linguagem jurídica que dificulta o entendimento da população.

A cartilha foi lançada pela primeira vez no evento da CUT (Central Única dos Trabalhadores) ocorrido em comemoração ao Dia do Trabalho, 1º de maio. No palco, Daniel Teixeira, coordenador de projetos do CEERT, falou sobre a importância de se ter uma legislação sobre igualdade racial que atinge todos os campos sociais como trabalho, mídia, educação, religião e a questão das terras para as comunidades quilombolas. “É importante assegurar direitos futuros e proteger aqueles que já foram conquistados”, afirmou.

www.ceert.org.br
Wilson Roberto Levy, MC do evento do CUT e diretor-executivo adjunto da Zulu Nation Brasil, considerou a cartilha importante para a “apropriação do conteúdo do Estatuto pelas entidades do Movimento Negro”. “Temos um estatuto que não é o que queríamos, mas agora que ele está aí, a luta continua para que ele seja posto em prática e ajude a melhorar a condição dos negros no Brasil”, disse.

O relançamento da cartilha aconteceu no dia 6 de maio durante a primeira Pílula de Cultura 2012, realizada pelo Instituto Feira Preta na Casa das Caldeiras, em São Paulo. Para enriquecer o momento, uma Roda de Conversa propôs reflexões sobre o seguinte tema: “Direitos passados a limpo – Estatuto da Igualdade Racial”, com as participações de Mafoane Odara (Fundação Ashoka), Priscila Preta (Capulanas – Cia. De Artes Negras), Tadeu Kaçula (Samba Autêntico e Rua do Samba), Chindalena Barbosa (Afrika), Samoury Mugabe (Articulação da Juventude Negra) e Daniel Teixeira (CEERT).

Adriana Barbosa, idealizadora da Feira Preta, falou sobre o que significa receber um evento como esse. “O lançamento da cartilha dentro da Feira Preta é uma chance de ter conhecimento político mais abrangente para toda sociedade, afinal, a feira tem uma dinâmica cultural e trazemos essa discussão para mais perto da juventude, ou seja, é um ganho enorme”.

Luiza Barros, ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), também estava presente e considerou o lançamento da cartilha uma iniciativa bem-vinda. “Nós, como governo, temos expectativa de que as instituições divulguem a existência do Estatuto para fazer com que as pessoas conheçam e construam demandas para que o setor público faça cumprir a lei, por isso, a iniciativa do CEERT é louvável”, ressaltou.

Jorge Arruda, secretário do CEPIR – Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Étnico-Racial, vê na cartilha um instrumento de formação para membros de dentro e de fora do Movimento Negro. “A cartilha é um equipamento a mais no combate ao racismo”, considerou.

Durante a roda de conversa, Tadeu Kaçula discorreu sobre o protagonismo da juventude ali presente. “Nosso papel na sociedade contemporânea é de reverter o quadro de desigualdade que temos hoje, preservar a cultura africana, promover políticas para a população negra e valorizar a contribuição dos negros”, afirmou ao lembrar que a região da Barra Funda onde ocorria o evento normalmente é apontada como um reduto italiano, mas abrigou um dos maiores quilombos da cidade.

Mafoane Odara relembrou a luta das gerações passadas e como elas foram importantes para as conquistas de hoje. “A geração dos nossos pais teve que dizer o que é racismo e que ele existe. Nós pensamos na promoção da igualdade racial e novas relações”, refletiu.

“A promoção da igualdade racial, além do combate ao racismo”, deve ser o mote da luta do Movimento Negro agora em diante, segundo Chindalena Ferreira. Priscila Preta, integrante das Capulanas Cia. De Artes Negras, ressaltou a importância das artes não só na valorização da cultura negra como no combate ao racismo. “A arte por meio do corpo e o racismo são simbólicos. O racismo é uma discriminação pelo corpo”.

Samoury Mugabe, ex-conselheiro nacional da juventude, alertou para a carência de representação política da população negra. “Se não mudarmos esse quadro, teremos estatuto, mas faltará a representação política que o fortalecerá”, opinou.

Para fazer o download da cartilha, clique na figura abaixo:

asideiasforadolugar.blogspot.com.br



Fonte: Retirado do site www.ceert.org.br  em 21 de maio de 2012 às 13h00min.

domingo, 20 de maio de 2012

MPF vai recorrer da pena de racismo aplicada a estudante por considerá-la muito branda

Punição por ofensa a nordestinos no Twitter - pena de prisão convertida em serviço comunitário - foi considerada branda 

O Ministério Público Federal (MPF) vai recorrer da decisão judicial que condenou a ex-estudante de Direito Mayara Petruso a 1 ano, 5 meses e 15 dias de reclusão por veicular mensagem de preconceito e discriminação contra nordestinos no Twitter.

Para o MPF, a pena é insuficiente para punir a jovem que postou a seguinte frase em sua página: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!"

andresantarosa.blogspot.com.br

A ofensa foi publicada no dia 31 de outubro de 2010, no domingo de votação do segundo turno da eleição presidencial, logo após a vitória eleitoral de Dilma Rousseff sobre José Serra. O Nordeste foi a região em que a petista abriu maior vantagem em relação ao tucano.

A pena foi definida pela juíza federal Mônica Camargo, da 9.ª Vara Federal Criminal em São Paulo. A punição, porém, foi convertida em prestação de serviço comunitário e pagamento de multa e indenização de R$ 500 à ONG Safernet, que atua na prevenção de crimes cibernéticos.

Na sentença, a juíza diz que a jovem, no curso do processo, acabou sofrendo também uma punição moral.

"Houve consequências especialmente graves para a própria M., que perdeu seu emprego, abandonou a faculdade, até hoje tem medo de dizer o nome da empresa na qual trabalha e que lhe abriu as portas, viveu seis meses reclusa em sua casa, com medo de sair à rua, situações extremamente difíceis e graves para uma jovem de sua idade."

A magistrada sugeriu que a sentenciada seja encaminhada para "serviço em entidade que possa contribuir para seu processo pessoal de recuperação emocional".

Durante o processo, Mayara alegou que não tinha a intenção de ofender os nordestinos e não é preconceituosa.

A condenação de Mayara repercutiu na internet como exemplo de que a Justiça está atenta a esse tipo de crime.

Ontem, na página do Twitter da Safernet, a ONG que receberá a indenização, um post comunicava: "Com essa condenação, a Justiça Federal e o MPF-SP deixam claro que racismo e preconceito nas redes sociais é coisa séria e traz consequências".

Fonte: Retirado do site http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/  em 20 de maio de 2012 às 14h26min.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Uma mulher é agredida a cada 5 minutos no Brasil


Esta semana, o Ministério da Justiça recebeu um relatório preocupante sobre a violência contra a mulher no Brasil. A cada cinco minutos, uma mulher é agredida no país. Em quase 70% dos casos, quem espanca ou mata a mulher é o namorado, marido ou ex-marido. Qual é o estado brasileiro onde mais ocorrem assassinatos de mulheres? E o que está sendo feito para acabar com tanta barbaridade?


Namoradas, noivas, esposas - não importa. “Me arrastou pelo cabelo, me jogou dentro do banheiro, enfiou minha cabeça dentro do vaso, me bateu muito, me chutou”, lembra uma vítima. A cada cinco minutos, uma mulher é espancada no Brasil. “Eu vi a morte na minha frente. O vi pegando uma faca e vindo para o meu lado”, conta a vítima.




Pode ser uma recém-casada, grávida de seis meses: “O último que ele ia me dar ia ser na barriga, porque, a todo momento que ele dava uma paulada, ele falava que ele ia me matar”, diz uma mulher.

Pode ser alguém apanhando em silêncio por mais de dez anos: “Aquilo já virou tão rotina, que você não conta mais quantas agressões foram, se foram três em um mês, se foram dez”.

Nem a polícia consegue evitar. “Infelizmente, determinados homens botam na cabeça que a mulher é um objeto dele, que pertence a ele, que ele pode tudo sobre ela, que ele pode bater, que ele pode brigar e que ele pode até matar”, afirma o delegado Adroaldo Rodrigues.

O mapa da violência de 2012, pesquisa coordenada e recém concluída pelo sociólogo Júlio Jacobo, mostra uma clara diferença entre assassinatos de homens e mulheres: “Homem morre primordialmente na rua. Homem morre primordialmente por violência, entre os pares, entre os jovens, na rua. Mulher morre no domicílio, na residência”, explica Jacobo.

Ao todo, 68% das mulheres que procuraram o Sistema Único de Saúde em 2011 para tratar ferimentos disseram que o agressor estava dentro de casa. Em 60% dos casos, quem espanca ou mata é o namorado, o marido ou ex-marido.

“Minha vida já estava um inferno na companhia de alguém que dizia que amava, mas horas depois estava me batendo”, conta uma mulher.

Entre 87 países, o Brasil é o 7º que mais mata. São 4,4 assassinatos em cada grupo de 100 mil mulheres. O estado mais violento é o Espírito santo, com 9,4 homicídios por 100 mil. E o que mata menos é o Piauí, com 2,6 homicídios por 100 mil mulheres. O Fantástico foi aos dois estados para entender as razões dessa diferença.

Trezentas mulheres são atendidas na Delegacia da Mulher da Cidade de Serra, na Região Metropolitana de Vitória, e pelo menos 200 homens são investigados todos os meses. Como Renildo, que jura inocência: “Mulher, a gente... Não se bate. Se bate com uma rosa”, afirma.

O que não quer dizer que Luzia tenha paz: “Ele quebra a janela, invade a casa, entra dentro de casa. Ele quebra a fechadura da porta e entra dentro de casa, fica me esperando dentro de casa. Quando eu vejo que ele está dentro de casa, em vez de entrar dentro de casa, eu saio e ligo para a polícia. Só que na hora que eu ligo para a polícia, ele se manda, vai embora, e a polícia nunca pega”, ela relata.

Confira a tabela completa com o mapa de homicídios de mulheres no Brasil

Taxas de homicídio de mulheres (em 100 mil) por unidade federativa*

POSIÇÃO
UNIDADE FEDERAL
TAXA
1º
Espírito Santo
9,4
2º
Alagoas
8,3
3º
Paraná
6,3
4º
Paraíba
6,0
5º
Mato Grosso do Sul
6,0
6º
Pará
6,0
7º
Distrito Federal
5,8
8º
Bahia
5,6
9º
Mato Grosso
5,5
10º
Pernambuco
5,4
11º
Tocantins
5,1
12º
Goiás
5,1
13º
Roraima
5,0
14º
Rondônia
4,8
15º
Amapá
4,8
16º
Acre
4,7
17º
Sergipe
4,2
18º
Rio Grande do Sul
4,1
19º
Minas Gerais
3,9
20º
Rio Grande do Norte
3,8
21º
Ceará
3,7
22º
Amazonas
3,7
23º
Santa Catarina
3,6
24º
Maranhão
3,4
25º
Rio de Janeiro
3,2
26º
São Paulo
3,1
27º
Piauí
2,6
Fonte: SIM/SVS/MS *2010: dados preliminares

Para ler a matéria na integra clique AQUI.

Fonte: Retirado do site http://fantastico.globo.com  e www.youtube.com.br  em 18 de maio de 2012 às 09h42min.